A maior rivalidade interestadual do Brasil: Galo x Flamengo.

Ano passado participei de um evento onde Reinaldo, o Rei do Mineirão lançava seu livro “Punho Cerrado”. Havia um palco onde Chico Pinheiro (Bom dia Galo), Fred Melo Paiva e Mário Marra conduziam o bate papo entre o Rei e seus súditos, que foram ali ouvir causos sobre o maior artilheiro da história do Galo.
Chico propunha os assuntos e o Rei discorria em nos fazer gargalhar. Deu aulas teóricas de como driblar zagueiros cruzeirenses botinudos e relembrou seus grandes gols. Até que após muita descontração chegou-se na final de 1980 e o Flamengo. O clima do auditório ficou sombrio, pois não cabiam mais risadas. O assunto era sério.
O fatídico primeiro assalto de 80 foi há quase 4 décadas, mas ainda deixa o Rei desconcertado. Ficou de pé a maior parte do tempo enquanto explicava a origem dessa que é a maior rivalidade interestadual do Brasil: Flamengo (CBD, CBF, Ditadura Militar e Globo) x Galo.
Mas não é só Reinaldo que fica desconcertado. O atleticano odeia o Flamengo, enquanto o flamenguista no fundo do inconsciente futebolístico sabe que os títulos de 80/81 deveriam ter asteriscos.
Era a final do Brasileirão de 80. O Galo jogava por um empate no Maracanã com 154 mil torcedores. Um coro ensurdecedor gritava “bichado, bichado” quando o Rei empatou o jogo na metade final do 2º tempo. Comemorou erguendo o punho cerrado, como aprendera com os panteras negras e como seu protesto anti-ditadura militar.
Então teve início o circo, Reinaldo foi expulso por reclamar de um impedimento marcado. Cartão vermelho direto. Não satisfeito, Assis Aragão confirmou o título flamenguista com mais duas expulsões, o Galo terminando a partida com 8 jogadores.
Nada está tão ruim que não possa piorar. Em 1981 o confronto foi pela Libertadores. Era um 3º jogo desempate, que arrastou 70 mil pessoas para campo neutro no Serra Dourada em Goiânia. GOIÂNIA!
A farsa começou aos 20 minutos do 1º tempo com o Rei expulso por falta normal no meio de campo, novamente sem receber o amarelo de advertência.
Minutos depois inexplicavelmente Éder Aleixo expulso, seguidos por Chicão, Palhinha e todos reservas do banco.
O jogo recomeçaria com o Galo com 8 jogadores e sem possibilidade de substituições.
Elias Kalil, então presidente do Galo desceu das tribunas e retirou seu time de campo. A farsa do jogo que nunca terminou.
Como prêmio, o juiz José Roberto Wright tornou-se comentarista da Globo e atuou por mais de 15 anos. Nunca fez uma transmissão em BH, sempre soube do risco que correria se pisasse na cidade do Galo.
Ali nasceu essa rivalidade interestadual que vem se arrastando e crescendo.
O equilíbrio é tão grande que são 24 vitórias alvinegras versus 23 rubro negras. Escrevi esse texto enquanto se concretizava o 16º empate entre os times.
Em 2014 no famoso 4×1 de virada na Semifinal da Copa do Brasil o atleticano sentiu um gostinho de vingança.
Mas ainda não basta. O sonho do atleticano é cruzar com o Flamengo numa Libertadores e lavar a alma dessa mancha do futebol brasileiro, que o flamenguista finge que nunca aconteceu, ou que chama de “choro de atleticano”. Não a toa o Galo é chamado de “forte e VINGADOR” em seu hino.
E aguarda mineiramente pelo dia que vingará 1980/81.

Texto: @Tomazaraujo13
Link: www.papodearquibancada.com.br/2017/05/13/a-maior-rivalidade-interestadual-do-brasil-galo-x-flamengo/

Comentários