Fora de campo...

Quando leio sobre um jogo, fico imaginando o que as pessoas vão falar sobre a percepção delas em relação ao que assistiram. Afinal, mesmo quem não assistiu pela TV, pode ter sua interpretação daquilo que viu ou ouviu de um jogo. Não gosto de leituras de textos do tipo uma “narração com delay de algumas horas!” Mas também não gosto de um texto com primores de um “Tatiquês” por vez incompreensível por grande parte dos que irão ler. Meu gosto é pelo não visto, o não comentado, o não dito e o não esperado.
Feito estes esclarecimentos, para que ninguém seja enganado antes de iniciar esta leitura, passo então ao que interessa. O jogo contra os Falsos!

Este foi um jogo que foi ganho fora de campo. Um jogo que teve muito mais que os 90 minutos tradicionais e seus acréscimos. De verdade, este jogo começou a ser jogado logo após o apito final do jogo contra o São Paulo. E caso vocês não se recordem, o que acho pouco provável, o nosso treinador, junto com sua comissão técnica e com o aval ou mesmo a determinação da Diretoria, resolveu poupar os jogadores no jogo de volta da Sul-Americana, com vistas a este confronto contra o Atlético Paranaense. E deu o resultado esperado. Nossa vitória no segundo tempo, com domínio total sobre o adversário, que não teve mais pernas para acompanhar, fazendo com que todo esquema tático imaginado e trabalhado por eles, viesse a ruir. Tinha caixa para uma sonora goleada, não fosse a participação absurda do Santos, goleiro de celular, e o preciosismo de alguns de nossos jogadores, em especial o Pastor.

Este jogo, pelo que já expliquei aqui, não foi ganho somente dentro de campo e muito menos no segundo tempo desta partida. Foi construído em cima de um planejamento que muitos ainda não perceberam, mas que me remete à figura de um “Nerd” e sua turminha de apoio, todos eles “Nerds” também, é claro. Me pego, por vezes, imaginando como seria a sala de trabalho desta turma, lá no CT do Galo. Uma sala com poucos móveis, um punhado de computadores portáteis, um telão pra projeção de imagens e um quadro, todo preenchido com fórmulas e cálculos dos mais incompreensíveis do mundo, mas que ao final de cada equação, a resposta com um resultado, obtido através de cálculos de uma teoria próxima ao da Teoria da Relatividade. Jogo a jogo, rodada a rodada, jogador por jogador e seus respectivos “CK’s” cabulosos!
Pra quem pensa em relativizar os resultados obtidos até aqui, assim como para aqueles que menosprezam o adversário ou seu técnico, sugiro uma leitura não de meu texto, nem de outros textos sem dúvida melhores, mais completos e consistentes que o meu. Não tenho esta pretensão e nem conhecimento para competir com os profissionais da área. Sugiro a leitura dos números do time, de cada atleta e a comparação com números de outros times, outros técnicos e atletas mais consagrados que os nossos. Irão perceber que evoluímos muito a cada rodada e que estamos conseguindo “encaixar” melhor algumas peças, mas que ainda carecemos de melhorias e mais opções de qualidade, para poder obter maiores variações dentro de uma partida, assim como a cada adversário. 

Fernando Diniz é sim um baita treinador. Consegue fazer este fraco time do Atlético Paranaense, jogar um futebol bonito de se ver e muito perigoso para os adversários. Um time que incomoda qualquer defesa adversária e que consegue impor uma marcação rigorosa ao adversário. Falta-lhe, mais que ao Larghi, peças de qualidade para não somente impor seu jogo, mas principalmente, garantir os resultados que qualquer clube necessita. Afinal, futebol é resultado. Que o diga oRoger!

Estamos construindo um time e um estilo de jogar, que me agrada muito e que pode nos custar muito mais que grana. Pode nos custar talvez até um título. Heresia! Um Atleticano falar que podemos não ganhar um título, ou, para os mais ácidos em críticas, um Atleticano desdenhando de um título. Já me explico. Não é normal e nem esperado, que um time recém montado e um técnico recém revelado, consigam resultados com títulos, logo em seu primeiro ano. A famosa teoria de que “um raio não cai dias vezes em um mesmo lugar”! Aconteceu talvez, com o Corinthians do ano passado, mas não se pode querer que esta exceção se torne regra, muito embora sabemos que Galo não é gambá e que SP não é BH. Então, este raio pode sim cair por estas bandas.Mais especificamente, pros lados de Pedro Leopoldo. Mas acho que as chances não são muito grandes disto acontecer. Não estou sendo derrotista. Só não quero que se crie uma expectativa maior do que já foi criada em cima de um bom técnico e de um time que ainda carece de melhorias técnicas e táticas. Aliás, nosso presidente já se incumbiu de sobrecarregar de responsabilidade todo o elenco e a comissão técnica. De quebra, jogou em seus ombros, toda a responsabilidade de um possível fracasso em qualquer que seja a competição que tivermos daqui, até o final do ano.

Ganhamos o jogo contra o Atlético Paranaense dando um banho aos críticos de plantão e àqueles que teimam em não enxergar o excelente trabalho feito por nosso técnico (não interino). Muitos o criticam por sua demora em fazer substituições. Outros o criticam por só fazer as mesmas substituições. Outros ainda o criticam por insistir em determinadas peças e não dar chances a outras, em especial aos jovens. Pois bem! Neste jogo faltou apenas a entrada do Alerrandro no lugar do Pastor. Tudo o mais, foi feito no jogo de ontem. E as substituições começaram ainda no primeiro tempo. Mas aqueles que são críticos por natureza, irão dizer que na verdade ele apenas corrigiu uma escalação mal feita, pois o Otero não devia nem ter entrado. Mas e o Luan? E a entrada do Elias? E o deslocamento do Blanco, já amarelado, para o lado direito? E a mudança, ainda no vestiário, do Léo pelo Bremer, ao perceber que o adversário molha a grama sintética poucos minutos antes do jogo, fazendo com que a bolacorra mais no campo?

Admitam! Larghi, que vem sendo testado a cada jogo, como se fosse aluno de pré-vestibular, ou de mestrado ou doutorado, provando sua tese a cada partida, ontem teve sua prova de fogo e passou com louvor. Isso, para mim, não nos credencia ao título nem do BR18, nem da CB18, mas nos deixa em condições de começar a sonhar com alguma coisa. Algo muito melhor que algumas previsões pessimistas dos que contam e recontam os 45 ou 46 pontos necessários à manutenção na primeira divisão. Algo que nos coloca em condições de brigar por posições na parte mais acima da tabela. Mas não me surpreenderia, se nas pranchetas dos “Nerd’s” do CAM, já tenham desenvolvido a fórmula do Campeão e que agora estão colocando a teoria em prática. Depois de Einsten e Hawking seria, sem dúvidas, o grande gênio a ser aplaudido e reverenciado.

Não vou falar de esquemas táticos, nem das jogadas de gols ou muito menos dos inúmeros gols perdidos no jogo contra o Atlético Paranaense. Outros, muito mais experientes e competentes em suas análises, farão isto com maestria. Chamo apenas a atenção para o fato de que, a partir das declarações desmioladas do presidente do CAM, a carga de responsabilidade está muito além da capacidade da maioria dos jogadores e, obviamente, da comissão técnica. Seria interessante que conseguíssemosdistinguir a verborreia de um presidente, às condições e situações de nossos atletas e comissão técnica. Um revés, em qualquer das partidas que temos pela frente, não deveria significar uma “caça às bruxas” e muito menos uma “terra arrasada” como estamos presenciando no Palmeiras, depois de perder para seu maior rival. Acidentes de percursos podem acontecer, mas o importante é sempre seguir em frente, acreditando no trabalho e confiando na “Teoria da Relatividade” do Larghi e seus pupilos, que até bem pouco tempo eram seus companheiros de games, provavelmente.

Deixemos as cobranças e as queixas, nos ombros de quem as criou. Mas ao final do ano, tendo vencido algum dos torneios que estamos disputando, não tenham dúvidas, não gritarei nome de presidente ou diretor, gritarei Galo e, provavelmente, o nome do Thiago Larghi.

Saudações Alvinegras!

Comentários