O Galo entrou 2018 com uma missão em mente: Reconstruir-se.
Depois de anos de gastança descontrolada de Daniel Nepomuceno trazendo os medalhões Fred, Robinho e Elias e não pagando quase nenhuma transação, acumulando reclamações na FIFA, Sette Camara assumiu um grande abacaxi para ser descascado. Montar um novo elenco, equalizar dívidas de curto prazo, livrar-se de grandes encargos e tentar beliscar no fim do ano uma vaga na Libertadores 2019.
Toda grande reconstrução exige um mestre de obras experiente, capaz de extrair soluções onde parecem não existir. Para o cargo de gerente de futebol, a criatividade é a resposta para os momentos de crise. Sette Camara apostou no questionado Alexandre Gallo, e juntos envolveram-se em trapalhadas dignas de Didi Mocó e Zacarias. Humor pastelão que custou caro ao Galo, com o vice-campeonato mineiro depois de massacrar o Cruzeiro no jogo de ida e as eliminações precoces na Copa do Brasil e Sul-americana para Chapecoense e os reservas do San Lorenzo respectivamente.
Se o erro de planejamento começou lá em 2017 com a manutenção de Oswaldo de Oliveira e a chegada de uma barca de reforços indicados por ele, aos poucos o clube vai se reconstruindo e corrigindo os erros de percurso. É o famoso “trocar a roda do avião com ele voando”. Ao longo do ano o Galo livrou-se de jogadores fora do novo perfil, ou que não seriam utilizados. Santana, Roger Bernardo, Hiury, Yago, Samuel Xavier e outros tantos, inclusive com a iminente saída de Arouca, que o senil Oswaldo de Oliveira chegou a afirmar que gostaria de ter 11 jogadores como ele.
Enxugar a folha salarial e a já planejada venda de Otero, abriram espaço para investimentos, e com isso o Galo segue um perfil claro de apostar em jogadores jovens. Blanco, Emerson e Maidana foram comprados por valores baixos e na expectativa de bom futebol e valorização. Surpreende apenas o alto investimento de U$ 6 milhões em Chará, com 27 anos. Mas se lembrarmos que Pratto chegou ao Galo com a mesma idade e rendeu lucro ao clube e retorno técnico, podemos acreditar que a situação seja a mesma. Yimmi Chará, eleito melhor jogador colombiano em 2017, assim como Pratto fora em 2014 o melhor jogador do campeonato argentino.
Bola dentro da diretoria em apostar também no jovem talento David Terans, revelação e artilheiro do campeonato uruguaio. Contratos longos de 5 anos garantem segurança para manter o jogador em caso de destaque, e essa tem sido a estratégia executada pelo Galo. Infelizmente no caso Roger Guedes, um contrato muito mal elaborado colocou-o de bandeja para ser vendido pelo Palmeiras, ao mesmo tempo que disponibilizamos Marcos Rocha para eles. Erro que custará caro ao Galo, ao não ter peça de reposição para o endiabrado Guedes.
Caberá ao “interino” Thiago Larghi remontar o time com os novos reforços durante a parada da Copa do Mundo. Se hoje o Galo soma o melhor ataque do Brasileirão, conta novamente com uma defesa de Z4, mesmos erros cometidos em 2012 e 2015, anos de vice-campeonatos. Já dizia Muricy Ramalho, o tricampeão Brasileiro: “Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos.” Larghi precisa urgentemente acertar a defesa. E talvez seja a hora de Sette Camara fazer um grande investimento num zagueiro de alto nível. Com exceção de Otamendi que veio num contrato curto e inesperado de 6 meses, quando foi a última vez que o Galo fez um grande investimento na zaga?
Para sonhar com algo maior ao fim do ano, o Galo precisa também acertar esse problema crônico, tirando o escorpião do bolso e investindo num zagueiro para chegar e vestir a camisa de titular. Caso isso aconteça, serei um daqueles a começar a gritar “Eu acredito”, na esperança de dias melhores para o Galo.
Texto: @tomazaraujo13

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