De analista de desempenho, passando por técnico tampão, interino longevo e vice lider do Brasileirão. Provavelmente tal situação jamais passou pela cabeça de Thiago Larghi no começo do ano, mas após inúmeras incertezas e desconfianças, finalmente foi efetivado como treinador do Galo até Dezembro de 2018. A sombra de Cuca rondava há meses a Cidade do Galo ameaçando qualquer treinador que ali passe, mas com o nível do futebol apresentado, não havia solução melhor do que dar uma oportunidade ao novo treinador.
Thiago Larghi é um estudioso da bola. Apesar da pouca idade, é rodado no futebol (com 37 anos é mais novo que o capitão Leonardo Silva) e chegou à BH como um auxiliar de desempenho. Um analista de vídeos e jogadas que depurava os adversários para que Oswaldo Oliveira montasse um esquema tático jogo a jogo. Formado em Educação Física, o agora treinador alia a modernidade com o estudo. Tendo como tutores os campeoníssimos Parreira e Felipão, especializou-se com cursos da CBF e da UEFA, fazendo aquele intensivo que diversos treinadores fizeram com Guardiola no Bayern em Munique.
Baseando seu estilo de jogo na troca de passes, consistência defensiva e organização tática, Larghi transformou o abismo caótico de Oswaldo de Oliveira em algo interessante de ser assistido. Fato é que passou o primeiro semestre com um elenco em formação e extremamante carente, enquanto a limpa era feita e reforços contratados. Mas com um segundo semestre pela frente e com as chegadas de Yimmi Chará, David Terans, Edinho, José Wellison e Denilson, o Galo passa a ter mais robustez.
Jogadores com perfis jovens e ambição de crescimento mesclado com jogadores vitoriosos e experientes, tais como Victor, Elias, Fábio Santos, Léo Silva e Ricardo Oliveira. O Galo de Larghi promete ser um time intenso, dono da bola e das ações, transformando a posse de bola inútil em finalizações. Hoje o Galo é o time que mais finaliza do Brasileirão, com um ataque avassalador com Guedes e Pastor artilheiros. Porém o desequilíbrio defensivo veio a tona com tantos gols sofridos, mal que atinge o clube há pelo menos 5 temporadas.
Se o Galo Doido 13-14 era o time vertical enlouquecido, o Galo de Larghi é mais paciente. Paciência que a própria torcida deverá exercer enquanto os contratados se ajeitam no novo esquema e o time for amadurecendo. Flamengo, Palmeiras e Gremio possuem elencos maiores, mais rodados e mais cascudos, e carregam consigo o favoritismo e a expectativa da mídia. Correndo por fora o Galo pode surpreender, desde que extremamente focado jogo a jogo, e tendo a excelente vantagem de apenas disputar o Brasileirão.
Basta aguardar a evolução de Larghi de sua visão durante o jogo, já que frequentemente suas substituições são criticadas ou não compreendidas.
Paciência, esse é o lema do Galo 2018, que com o rejuvenescimento de seu elenco planeja colher frutos nos próximos anos. E quem sabe sonhar com voos maiores ainda esse ano.
@Tomazaraujo13

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