Viva! Nasceu! Se é um menino, o quarto é azul, enxoval também, “meu filho vai ser o terror da mulherada”, ganha logo uma bola pra ser craque de futebol. Nasceu menina! “Que princesa!” Quarto rosa, bonecas, panelinhas. Ela vai crescendo, “senta igual uma mocinha fulana!”.
Fomos educados e habituados a determinar coisa de menino e de menina, profissão pra homem e pra mulher. Aceitamos, passamos adiante como se fosse lei, às vezes no piloto automático, mas nos esquecemos de que cada um faz suas próprias escolhas, que cada um tem sua particularidade, o que lhe é agradável e o que não é, cada um tem seu limite, sonho, capacidade e não se pode invadir nem as escolhas e nem o espaço do outro.
Falando de futebol, minha paixão maior entre os esportes, canto sagrado em que carrego o Clube Atlético Mineiro tatuado na alma, há ainda delimitações desnecessárias, frases feitas que ao longo dos anos foram imbuídas e hoje em nada combinam com o infinito que ele é.
Indo mais ao ponto, não há que se discutir que desde sua origem o futebol tem por característica, ser um espaço eminentemente masculino. A pouca visibilidade conferida a nós, mulheres, a falta de investimentos para o futebol praticado pelas mulheres, são justificadas, muitas vezes com essa característica de espaço masculino.
Em nosso país, já houve decretos proibitivos como no ano de 1965, que impedia a prática de certos esportes, como o futebol, pelas mulheres, alegando que a fragilidade feminina não condizia com o esporte, de que a mulher deveria estar ao lado do seu companheiro somente ou como adorno nas arquibancadas. O primeiro registro de um jogo de futebol feminino data de 1913, entre times dos bairros da Cantareira e do Tremembé, de São Paulo. Cercado de preconceito e dúvida, ainda que não tenha se firmado nesse período, ao longo dos anos nós, mulheres, viemos nos tornando protagonistas seja na mídia esportiva, como desportistas, nos clubes e associações ou na educação física escolar.
Do tanto que nos envolvemos, temos sido cada vez mais responsáveis por transmitir aos filhos essa paixão, levando-os aos estádios, ensinando o caminho do amor indiscutível. Ao contrário do que se possa pensar, não é de hoje que esse espaço é também feminino. Temos nomes conhecidos na história das torcedoras brasileiras, Elisa do Corinthians (1953), Dulce Rosalina, torcedora do Vasco (1961), Tia Ruth, torcedora símbolo do América Futebol Club, Dona Maria de Lurdes, a vovó tricolor, aqui no Galo no início de nossa história, Alice Neves, ao longo dela, Tia Célia, D. Terezinha, vovó do Galo. Todas sendo referência nas torcidas, ativas em seus papeis, cuidadas e tratadas com todo o carinho e respeito, protegidas.
Mas porque ainda nos deparamos com tanta misoginia e assédio no ambiente futebolístico? Piadas que coloquem em dúvida o conhecimento da mulher, cantadas inconvenientes, associação do valor da mulher pelo corpo ou da roupa que veste. Futebol é lazer, alegria, paixão, mas nada tira dele o fator social, de inclusão e o poder inenarrável que este tem de fazer além dos gols.
Naturalizar tudo nesse ambiente é, de certa maneira, diminuir seu poder de alcançar infinitas causas e realizar mudanças positivas. Estamos em 2018 e é triste perceber que ainda é necessário explicar o nosso “mi mi mi”, desenhar, berrar para que o respeito exista.
Sou jornalista, escolhi ser, amo futebol e sei até onde posso ir e se posso ir além. O meu direito de transitar entre profissionais, sejam eles quais forem, estar entre torcedores, é o mesmo de qualquer pessoa, mas porque tantas vezes é tão difícil quando se é mulher? Meus passos não se atrelam ao corpo que tenho se gorda ou magra, não se limita ao time que escolho e nem a minha orientação sexual.
O assédio com todos os seus significados: insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém, aquilo que constrange, que não se consente, é ruim. Faz mal! E não combina com a paixão do futebol, não dá pra naturalizar, achar engraçado.
Ainda que a misoginia não se limite ao espaço do futebol, ainda que nos deparemos com esta em diferentes instâncias culturais, o esporte é propício para o exercício de sociabilidades, de liberdades, para inclusão e crescimento pessoal e não para a naturalização daquilo que violenta e machuca.
Você pode nunca ter se sentido ofendida, assediada e isso não diminui e nem desmerece a ofensa e dor sentidas por outra mulher. Você pode ser um cara superbacana, que se comporta sem invadir o espaço de uma mulher, mas isso não quer dizer que todos os outros homens sejam legais e nada impede que você seja solidário e que até repreenda aquele amigo que passa dos limites.
Não toque sem que seja autorizado. Não fale sem ter certeza de que vai ser legal, muitas vezes o que achamos elogio, constrange, invade e violenta.
O espaço que nós mulheres queremos é ao lado e não à frente, ou atrás, não competimos, não é isso e não é mimimi: é dignidade humana e respeito. Então, em qualquer lugar, não importa onde for: #DeixaElaTorcer #DeixaElaTrabalhar
@LeideBotelho
@FalaGalo13
Fomos educados e habituados a determinar coisa de menino e de menina, profissão pra homem e pra mulher. Aceitamos, passamos adiante como se fosse lei, às vezes no piloto automático, mas nos esquecemos de que cada um faz suas próprias escolhas, que cada um tem sua particularidade, o que lhe é agradável e o que não é, cada um tem seu limite, sonho, capacidade e não se pode invadir nem as escolhas e nem o espaço do outro.
Falando de futebol, minha paixão maior entre os esportes, canto sagrado em que carrego o Clube Atlético Mineiro tatuado na alma, há ainda delimitações desnecessárias, frases feitas que ao longo dos anos foram imbuídas e hoje em nada combinam com o infinito que ele é.
Indo mais ao ponto, não há que se discutir que desde sua origem o futebol tem por característica, ser um espaço eminentemente masculino. A pouca visibilidade conferida a nós, mulheres, a falta de investimentos para o futebol praticado pelas mulheres, são justificadas, muitas vezes com essa característica de espaço masculino.
Em nosso país, já houve decretos proibitivos como no ano de 1965, que impedia a prática de certos esportes, como o futebol, pelas mulheres, alegando que a fragilidade feminina não condizia com o esporte, de que a mulher deveria estar ao lado do seu companheiro somente ou como adorno nas arquibancadas. O primeiro registro de um jogo de futebol feminino data de 1913, entre times dos bairros da Cantareira e do Tremembé, de São Paulo. Cercado de preconceito e dúvida, ainda que não tenha se firmado nesse período, ao longo dos anos nós, mulheres, viemos nos tornando protagonistas seja na mídia esportiva, como desportistas, nos clubes e associações ou na educação física escolar.
Do tanto que nos envolvemos, temos sido cada vez mais responsáveis por transmitir aos filhos essa paixão, levando-os aos estádios, ensinando o caminho do amor indiscutível. Ao contrário do que se possa pensar, não é de hoje que esse espaço é também feminino. Temos nomes conhecidos na história das torcedoras brasileiras, Elisa do Corinthians (1953), Dulce Rosalina, torcedora do Vasco (1961), Tia Ruth, torcedora símbolo do América Futebol Club, Dona Maria de Lurdes, a vovó tricolor, aqui no Galo no início de nossa história, Alice Neves, ao longo dela, Tia Célia, D. Terezinha, vovó do Galo. Todas sendo referência nas torcidas, ativas em seus papeis, cuidadas e tratadas com todo o carinho e respeito, protegidas.
Mas porque ainda nos deparamos com tanta misoginia e assédio no ambiente futebolístico? Piadas que coloquem em dúvida o conhecimento da mulher, cantadas inconvenientes, associação do valor da mulher pelo corpo ou da roupa que veste. Futebol é lazer, alegria, paixão, mas nada tira dele o fator social, de inclusão e o poder inenarrável que este tem de fazer além dos gols.
Naturalizar tudo nesse ambiente é, de certa maneira, diminuir seu poder de alcançar infinitas causas e realizar mudanças positivas. Estamos em 2018 e é triste perceber que ainda é necessário explicar o nosso “mi mi mi”, desenhar, berrar para que o respeito exista.
Sou jornalista, escolhi ser, amo futebol e sei até onde posso ir e se posso ir além. O meu direito de transitar entre profissionais, sejam eles quais forem, estar entre torcedores, é o mesmo de qualquer pessoa, mas porque tantas vezes é tão difícil quando se é mulher? Meus passos não se atrelam ao corpo que tenho se gorda ou magra, não se limita ao time que escolho e nem a minha orientação sexual.
O assédio com todos os seus significados: insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém, aquilo que constrange, que não se consente, é ruim. Faz mal! E não combina com a paixão do futebol, não dá pra naturalizar, achar engraçado.
Ainda que a misoginia não se limite ao espaço do futebol, ainda que nos deparemos com esta em diferentes instâncias culturais, o esporte é propício para o exercício de sociabilidades, de liberdades, para inclusão e crescimento pessoal e não para a naturalização daquilo que violenta e machuca.
Você pode nunca ter se sentido ofendida, assediada e isso não diminui e nem desmerece a ofensa e dor sentidas por outra mulher. Você pode ser um cara superbacana, que se comporta sem invadir o espaço de uma mulher, mas isso não quer dizer que todos os outros homens sejam legais e nada impede que você seja solidário e que até repreenda aquele amigo que passa dos limites.
Não toque sem que seja autorizado. Não fale sem ter certeza de que vai ser legal, muitas vezes o que achamos elogio, constrange, invade e violenta.
O espaço que nós mulheres queremos é ao lado e não à frente, ou atrás, não competimos, não é isso e não é mimimi: é dignidade humana e respeito. Então, em qualquer lugar, não importa onde for: #DeixaElaTorcer #DeixaElaTrabalhar
@LeideBotelho
@FalaGalo13

"Ainda que a misoginia não se limite ao espaço do futebol, ainda que nos deparemos com esta em diferentes instâncias culturais, o esporte é propício para o exercício de sociabilidades, de liberdades, para inclusão e crescimento pessoal e não para a naturalização daquilo que violenta e machuca.
ResponderExcluirVocê pode nunca ter se sentido ofendida, assediada e isso não diminui e nem desmerece a ofensa e dor sentidas por outra mulher. Você pode ser um cara superbacana, que se comporta sem invadir o espaço de uma mulher, mas isso não quer dizer que todos os outros homens sejam legais e nada impede que você seja solidário e que até repreenda aquele amigo que passa dos limites.
Não toque sem que seja autorizado. Não fale sem ter certeza de que vai ser legal, muitas vezes o que achamos elogio, constrange, invade e violenta.
O espaço que nós mulheres queremos é ao lado e não à frente, ou atrás, não competimos, não é isso e não é mimimi: é dignidade humana e respeito. Então, em qualquer lugar, não importa onde for: #DeixaElaTorcer #DeixaElaTrabalhar"
Muito bom!
Grato!
É isso.
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