A atual busca por um bom técnico, na vida do Atlético, é aquela bola cruzada no ponto futuro à espera de algum jogador que apareça de surpresa, por trás da zaga, quando ninguém menos espera e a empurra pra dentro do gol. Thiago Larghi, claro, é o jogador.
Formado em Análise de Desempenho, Larghi ocupou o cargo por 11 anos ao lado de Carlos Alberto Parreira. Além disso, Larghi teve participação importante na Copa das Confederações de 2013, quando deixou o Botafogo para integrar a comissão técnica de Felipão. Teve participação direta e importantíssima na recuperação do centroavante Fred, que não vinha em boa fase e, com a ajuda de Larghi, terminou a competição como artilheiro, com 5 gols. Embora estivesse no 7 a 1, no triste e doloroso jogo de Brasil x Alemanha, no Mineirão, Thiago Larghi não ficou “queimado” como alguns outros e decidiu seguir a carreira de auxiliar técnico. Passou por cursos na CBF e na UEFA, onde trabalhou com Pep Guardiola, no Bayern de Munique. A partir de então, começou a trabalhar como auxiliar técnico de Oswaldo de Oliveira, no Sport. Após uma boa campanha, Larghi foi ao Corinthians, no final de 2016, junto a Oswaldo de Oliveira.
Em meio a tiros, porrada e bomba, Larghi assumiu o Galo interinamente depois de uma passagem rápida, mas suficiente para ser desastrosa, de Oswaldo de Oliveira. Vindo de um ano bastante conturbado em 2017, onde muito se chegou a falar até em rebaixamento, Oswaldo conseguiu salvar o time nas rodadas finais, mas era claro que não deveria ter continuado no comando da equipe após o término da temporada.
O presidente Sérgio Sette Câmara e seu diretor, Alexandre Gallo, sofriam uma pressão muito grande e precisavam dar uma resposta imediata à torcida. Eram novos no cargo e assumiram logo de cara a torcida “mais chata do Brasil”, como já dizia nosso Kalil. Uma torcida apaixonada, que apoia o clube em todas as circunstâncias, mas que também cobra, e tem seu direito, por ser muito participativa e amar o preto e branco acima de todos as cores.
Depois de várias contratações sem pé nem cabeça, Sette Câmara e Gallo corriam contra o tempo em busca de uma resposta pra torcida. Ao adotar a filosofia de ter um técnico em médio a longo prazo no comando da equipe, procurou técnicos experientes como o sempre falado Cuca, que recusou; Abel Braga, que não quis nem iniciar conversas; e até mesmo Felipão, depois de ter feito um bom trabalho na China, mas também não andou a negociação.
Iniciantes no cargo, não sabiam eles que a solução estaria dentro da própria casa. Enquanto faziam loucuras para contratar um técnico que acalmasse os ânimos da torcida, Larghi, por sua vez, vencia e convencia no comando da equipe. Jogo a jogo. E embora reprovado no seu primeiro grande teste (derrota para o Cruzeiro na primeira fase do Campeonato Mineiro), onde pra alguns seria o divisor de águas para o treinador, seguiu no comando, sempre com muita convicção e demonstrando muita inteligência nos esquemas táticos formados na equipe. Adotou o estilo de jogo com saída de bola com toques rápidos e envolventes, deixando o adversário perdido no jogo, onde ora aparecia o volante na área, ora aparecia o atacante. O time joga com pressão, proteção e compactação. Larghi solucionou, por um determinado tempo, um longo problema do Galo: a defesa. Ele monta duas linhas de quatro defensivamente, onde os pontas e os meias voltam pra marcar, formando uma linha à frente da zaga, enquanto os dois atacantes fazem a pressão nos zagueiros adversários. Um estilo de jogo de 4-4-2. Desta forma, passamos 8 jogos sem tomar gols ao longo do Campeonato. Larghi também teve participação importantíssima na recuperação de Roger Guedes, jogador que tinha vários indícios de indisciplina, com boa passagem no primeiro ano de Palmeiras, mas que caiu muito de produção no segundo. Guedes, que pouco conseguia criar, sempre apagado durante os jogos, era substituído com frequência. Nada mais justo, por que não vinha fazendo absolutamente nada. Em um jogo, contra o Figueirense, Guedes foi substituído e, irritado com mais uma substituição, ele saiu falando asneiras em direção ao treinador, dando a parecer que Larghi o perseguia. Mas ele não contava com a mente brilhante de Larghi, que por meio de atitudes friamente calculadas, colocou Guedes no banco por um determinado tempo, e aos poucos iria moldando o jogador, que tinha um potencial enorme. A princípio, os jogadores não respeitavam Larghi, por se tratar de um técnico novo e interino, mas com frieza e objetividade, o jovem treinador iria mostrando firmeza e, aos poucos, iria conquistando a confiança do grupo, e chamando a atenção da imprensa brasileira, que sempre o estava elogiando por sua postura.
Além de Guedes, o treinador deu uma importante função a Cazares. O meia pouco vinha aparecendo, e este fato incomodava os torcedores, por se tratar de uma meia de muita qualidade. Mas o que poucos puderam observar, é que Thiago Larghi entregou a Cazares a importante função de buscar a bola ainda no campo de defesa, para poder, assim, virar-se de frente e ter uma visão mais ampla do jogo e dessa maneira encontrar o jogador melhor colocado para efetuar o passe. Nesse intervalo de tempo que Cazares aparece para buscar a bola, ele libera um volante para ocupar o espaço no meio e chegar como elemento surpresa dentro da área. Por diversas vezes podemos observar Gustavo Blanco entrando na área com chances reais de finalização.
Depois de provar sua competência para todos, já havia uma cobrança em cima da diretoria atleticana para a efetivação de Larghi. Na parada para a Copa, deixou o time brigando pelo título, entre os 3 primeiros colocados e com chances reais de título. Por puro mérito e competência, Larghi veio a ser efetivado e ganhou tranquilidade para dar prosseguimento ao trabalho. Com 4 bons reforços, dentre eles os ótimos jogadores Yimmi Chará e David Terans, e com o possível “fico” de Guedes, o time fica muito forte e, nesse segundo semestre, a Massa vai junto com o Larghi em busca do título.
De 1928 pra cá, tivemos 31 treinadores interinos na equipe: Léo Coutinho, Wilson de Oliveira, Afonso Silva, Barbatana, Dequinha, Ayrton Moreira, Totinha, Haroldo Lopes, José Luiz Barbosa, Mussula, Paulo Benigno, Sinval Martins, Antônio Lacerda, João Avelino, Eugênio Salomão, Luizinho, Palhinha, Vantuir, Heleno Abreu, Rui Guimarães, Cláudio Café, Amauri Meireles, Erivelton Santos, Heriberto da Cunha, João Francisco, Nedo Xavier, Zé Maria, Marcelo Oliveira, Tico dos Santos, Silas, Rogério Micale, Diogo Giacomini.
Larghi é o 32º. E veio pra fazer história. Vamu Galooo!!!!
Texto: @Mateus_wallace
#FalaGalo #Deixaelatorcer #Deixaelatrabalhar
Imagem: José Augusto
Formado em Análise de Desempenho, Larghi ocupou o cargo por 11 anos ao lado de Carlos Alberto Parreira. Além disso, Larghi teve participação importante na Copa das Confederações de 2013, quando deixou o Botafogo para integrar a comissão técnica de Felipão. Teve participação direta e importantíssima na recuperação do centroavante Fred, que não vinha em boa fase e, com a ajuda de Larghi, terminou a competição como artilheiro, com 5 gols. Embora estivesse no 7 a 1, no triste e doloroso jogo de Brasil x Alemanha, no Mineirão, Thiago Larghi não ficou “queimado” como alguns outros e decidiu seguir a carreira de auxiliar técnico. Passou por cursos na CBF e na UEFA, onde trabalhou com Pep Guardiola, no Bayern de Munique. A partir de então, começou a trabalhar como auxiliar técnico de Oswaldo de Oliveira, no Sport. Após uma boa campanha, Larghi foi ao Corinthians, no final de 2016, junto a Oswaldo de Oliveira.
Em meio a tiros, porrada e bomba, Larghi assumiu o Galo interinamente depois de uma passagem rápida, mas suficiente para ser desastrosa, de Oswaldo de Oliveira. Vindo de um ano bastante conturbado em 2017, onde muito se chegou a falar até em rebaixamento, Oswaldo conseguiu salvar o time nas rodadas finais, mas era claro que não deveria ter continuado no comando da equipe após o término da temporada.
O presidente Sérgio Sette Câmara e seu diretor, Alexandre Gallo, sofriam uma pressão muito grande e precisavam dar uma resposta imediata à torcida. Eram novos no cargo e assumiram logo de cara a torcida “mais chata do Brasil”, como já dizia nosso Kalil. Uma torcida apaixonada, que apoia o clube em todas as circunstâncias, mas que também cobra, e tem seu direito, por ser muito participativa e amar o preto e branco acima de todos as cores.
Depois de várias contratações sem pé nem cabeça, Sette Câmara e Gallo corriam contra o tempo em busca de uma resposta pra torcida. Ao adotar a filosofia de ter um técnico em médio a longo prazo no comando da equipe, procurou técnicos experientes como o sempre falado Cuca, que recusou; Abel Braga, que não quis nem iniciar conversas; e até mesmo Felipão, depois de ter feito um bom trabalho na China, mas também não andou a negociação.
Iniciantes no cargo, não sabiam eles que a solução estaria dentro da própria casa. Enquanto faziam loucuras para contratar um técnico que acalmasse os ânimos da torcida, Larghi, por sua vez, vencia e convencia no comando da equipe. Jogo a jogo. E embora reprovado no seu primeiro grande teste (derrota para o Cruzeiro na primeira fase do Campeonato Mineiro), onde pra alguns seria o divisor de águas para o treinador, seguiu no comando, sempre com muita convicção e demonstrando muita inteligência nos esquemas táticos formados na equipe. Adotou o estilo de jogo com saída de bola com toques rápidos e envolventes, deixando o adversário perdido no jogo, onde ora aparecia o volante na área, ora aparecia o atacante. O time joga com pressão, proteção e compactação. Larghi solucionou, por um determinado tempo, um longo problema do Galo: a defesa. Ele monta duas linhas de quatro defensivamente, onde os pontas e os meias voltam pra marcar, formando uma linha à frente da zaga, enquanto os dois atacantes fazem a pressão nos zagueiros adversários. Um estilo de jogo de 4-4-2. Desta forma, passamos 8 jogos sem tomar gols ao longo do Campeonato. Larghi também teve participação importantíssima na recuperação de Roger Guedes, jogador que tinha vários indícios de indisciplina, com boa passagem no primeiro ano de Palmeiras, mas que caiu muito de produção no segundo. Guedes, que pouco conseguia criar, sempre apagado durante os jogos, era substituído com frequência. Nada mais justo, por que não vinha fazendo absolutamente nada. Em um jogo, contra o Figueirense, Guedes foi substituído e, irritado com mais uma substituição, ele saiu falando asneiras em direção ao treinador, dando a parecer que Larghi o perseguia. Mas ele não contava com a mente brilhante de Larghi, que por meio de atitudes friamente calculadas, colocou Guedes no banco por um determinado tempo, e aos poucos iria moldando o jogador, que tinha um potencial enorme. A princípio, os jogadores não respeitavam Larghi, por se tratar de um técnico novo e interino, mas com frieza e objetividade, o jovem treinador iria mostrando firmeza e, aos poucos, iria conquistando a confiança do grupo, e chamando a atenção da imprensa brasileira, que sempre o estava elogiando por sua postura.
Além de Guedes, o treinador deu uma importante função a Cazares. O meia pouco vinha aparecendo, e este fato incomodava os torcedores, por se tratar de uma meia de muita qualidade. Mas o que poucos puderam observar, é que Thiago Larghi entregou a Cazares a importante função de buscar a bola ainda no campo de defesa, para poder, assim, virar-se de frente e ter uma visão mais ampla do jogo e dessa maneira encontrar o jogador melhor colocado para efetuar o passe. Nesse intervalo de tempo que Cazares aparece para buscar a bola, ele libera um volante para ocupar o espaço no meio e chegar como elemento surpresa dentro da área. Por diversas vezes podemos observar Gustavo Blanco entrando na área com chances reais de finalização.
Depois de provar sua competência para todos, já havia uma cobrança em cima da diretoria atleticana para a efetivação de Larghi. Na parada para a Copa, deixou o time brigando pelo título, entre os 3 primeiros colocados e com chances reais de título. Por puro mérito e competência, Larghi veio a ser efetivado e ganhou tranquilidade para dar prosseguimento ao trabalho. Com 4 bons reforços, dentre eles os ótimos jogadores Yimmi Chará e David Terans, e com o possível “fico” de Guedes, o time fica muito forte e, nesse segundo semestre, a Massa vai junto com o Larghi em busca do título.
De 1928 pra cá, tivemos 31 treinadores interinos na equipe: Léo Coutinho, Wilson de Oliveira, Afonso Silva, Barbatana, Dequinha, Ayrton Moreira, Totinha, Haroldo Lopes, José Luiz Barbosa, Mussula, Paulo Benigno, Sinval Martins, Antônio Lacerda, João Avelino, Eugênio Salomão, Luizinho, Palhinha, Vantuir, Heleno Abreu, Rui Guimarães, Cláudio Café, Amauri Meireles, Erivelton Santos, Heriberto da Cunha, João Francisco, Nedo Xavier, Zé Maria, Marcelo Oliveira, Tico dos Santos, Silas, Rogério Micale, Diogo Giacomini.
Larghi é o 32º. E veio pra fazer história. Vamu Galooo!!!!
Texto: @Mateus_wallace
#FalaGalo #Deixaelatorcer #Deixaelatrabalhar

Texto incrível! Parabéns!
ResponderExcluir