Evolução do futebol

A Copa do Mundo é um espetáculo à parte, em que muitos se apressam em tentar fazer paralelos ou previsões sobre o futuro ou predominância hegemônica sobre uma Seleção ou mesmo um estilo de jogo, como foram os casos mais recentes de Espanha e Alemanha, em seus triunfos recentes nestes torneios Mundiais. Outros, mais críticos ou céticos, preferem fazer previsões exatamente ao contrário, sobre o fim destas hegemonias e de um ciclo de tendências Mundiais.

Inadvertidamente, seguimos tentando fazer paralelos entre o futebol apresentado por algumas Seleções em mundiais e o futebol apresentado por clubes mundo afora, o que nem sempre acontece, ou leva algum tempo pra acontecer. E, em outros casos, seguimos tentando comparar o jogo apresentado pela Seleção brasileira, ao futebol de alguns times do Brasil. Fujo destas análises e comparações e me explico.

O futebol apresentado em Copa do Mundo, pra ser considerado uma tendência ou mesmo revolução futebolística, não é aquele que se apresenta exclusivamente neste torneio, que é um torneio de tiro-curto e, via de regras, não permite certas experiências sem antes tê-las testado em ocasiões menos importantes. Holanda com seu “Carrossel” a Espanha com seu “Tiki-Taka” ou mesmo a Alemanha, com seu “Futebol Dominador”, não surgiram em Copas do Mundo. Apenas se apresentaram com melhor domínio e com mais organização nestes torneios. Mas eles vieram sendo moldados e estudados anos antes, em clubes e mesmo nestas Seleções, até que pudessem ser apresentados num Torneio Mundial. Alemanha levou pelo menos 8 anos pra conseguir se impor.

Mas então, o que deu errado, para que uma Seleção que levou tanto tempo pra conseguir apresentar um futebol que lhe propiciasse ser Campeã do Mundo, já na copa seguinte ser eliminada ainda na primeira fase desta mesma competição? Acabou a Magia? O esquema não era tão bom assim? As outras Seleções evoluíram mais que ela? A soberba atrapalhou? Ou as peças individuais não eram as melhores?

Acho que, no fundo, pode ser um pouco de tudo isto. Mas nunca, jamais, dizer que aquele determinado esquema não terá mais lugar no mundo futebolístico. Todos os esquemas de jogo que foram mais visivelmente apresentados ao mundo através de uma Copa do Mundo, foram importantes influenciadores de mudanças no futebol praticado mundo afora. Sempre foi assim, desde o Carrossel Holandês, Tiki-Taka Espanhol, ou Futebol Dominador da Alemanha. Eles sempre serão referências para técnicos de todo mundo, embora muito poucos consigam êxito em aplica-los em seus clubes ou mesmo nas Seleções de seus países.

Nesta Copa de 2018, qual seria então o modelo de futebol que poderia servir de exemplo ou modelo para as demais Seleções ou Clubes de todo mundo?

Arrisco dizer que “NENHUM”!

O que temos visto é muito mais as Seleções se preocupando em “desconstruir” alguns esquemas táticos, do que a propor algo que possa servir de modelo para um futebol moderno. Jogos de retranca, contra times de maior poderio ofensivo. Táticas de Xadrez aplicadas ao futebol. Jogo de ataque contra defesa, ou de caça ao rato. Esta tem sido a tônica, em minha opinião, para o futebol apresentado pela maioria das Seleções nesta Copa do Mundo. Nunca vimos nas Copas anteriores, tantas Seleções jogando com tantos marcadores como nesta Copa de 2018. Seleções que, sem pudor algum, montaram seus times com base em primeiras linhas defensivas de 5 ou mesmo 6 atletas, seguidos pela segunda linha de 3 ou 4 atletas e, não raro, sem ao menos 1 atleta para puxar um contra-ataque.

Pra mim, esta sim poderá ser uma tendência mundial, principalmente nos Clubes. Já vínhamos assistindo a isso em alguns campeonatos, como o Espanhol, dado à supremacia da dupla Barcelona e Real Madrid. O único insurgente parece ter sido o Atlético de Madrid. Os demais se agarravam ao esquema de defender a todo custo, mesmo que isto implique em não ganhar. E aqui no Brasil, vemos algo semelhante. Ainda bem que, para o Campeonato Brasileiro, esta tática ainda não esteja sendo prevalente. Mas na Copa do Brasil, que é um torneio Mata-Mata, é o que mais vemos.

E onde podemos colocar a situação do Galo de 2018? Qual o paralelo e quais as características de nosso time e nosso treinador? Quais seriam nossas perspectivas?

Guardiola tem sido um dos técnicos que mais aplicam em campo suas teorias e teses evolutivas sobre futebol, mas não é o único. O próprio Mourinho faz muitos testes e tem seu próprio estilo de jogo. Simeone tem chamado a atenção com seu Atlético de Madrid e tem nos brindado com um futebol moderno e consistente. O mundo do futebol não vive, portanto, refém do Guardiola. Graças a Deus. Mas de fato, se o Larghi se inspirou em alguém, o Guardiola seria o nome. Mas seria muito pouco restringir o trabalho de Thiago Larghi a um mero discípulo do Guardiola, assim como os demais jovens técnicos que vêm se despontando no Brasil, como o Carille e Fernando Diniz. Algumas pessoas chegaram a dizer que Fernando Diniz era o novo Guardiola brasileiro e outros tantos se apressaram a dizer que ele não passava de uma “farsa”. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Fato é, que o NOVO sempre incomoda. O pensar diferente nos tira de uma “Zona de Conforto” à qual estamos sempre dispostos a não nos arredar dela. É da natureza humana. Não fiquem tristes! A criança, antes de falar, aprende a chorar para demonstrar aquilo que a incomoda ou assusta. Depois, reluta em ficar de pé e dar seus primeiros passos. É mais cômodo e fácil engatinhar. Andar pode nos levar a uma queda e um machucado com dor. Por qual motivo seria bom arriscar? Mas a evolução é NATURAL. Precisamos dela. Evoluir é FUNDAMENTAL e imprescindível. No futebol, também!

A evolução no Futebol, sempre vai em busca de se conseguir vitórias. Ninguém busca uma evolução para não ganhar. Então, em última análise, a evolução no Futebol sempre vai à procura do gol. A forma como se pensa em chagar ao gol é que vai variar de treinador para treinador, equipe para equipe e jogador para jogador. Mas o objetivo final de qualquer tese ou proposta evolutiva no futebol, visa o gol. Tudo o mais que vemos e assistimos sobre futebol, é apenas um contraponto dessas teses e propostas evolutivas do Futebol. E nisto a Copa de 2018 está servindo bastante.

Seleções que serviam de base para se propor mudanças de padrão de jogo, como Espanha e Alemanha, foram exaustivamente estudadas e mapeadas pelos adversários, que buscaram explorar todos os pontos fracos ou não muito fortes, exercendo uma marcação implacável e tentando tirar proveito de suas próprias características que as fizeram se diferenciar das demais potências do Futebol. E as duas foram eliminadas, na primeira fase e nas oitavas da Copa do Mundo.

Será que a hegemonia destas Seleções foi enfim quebrada? Será que o futebol que elas praticavam foi superado? Será que veremos um novo modelo de futebol depois desta Copa? Lamento informar que NÃO! Eles não perderão sua hegemonia e nem deverão mudar significativamente seus modelos de futebol. Irão apenas se recompor, buscar ainda mais mudanças e aprimoramentos, mas continuarão dominando as práticas futebolísticas do Mundo.

Voltemos ao Thiago Larghi. Faço aqui uma Profecia!

A parada para a Copa deverá servir para que ele busque a consolidação de um padrão de jogo. Deverá usar este tempo para definir esquemas táticos e posicionamentos de atletas. Deverá servir para mudar aquilo que já foi demonstrado não estar funcionando muito bem. Deverá ainda, servir para testar formações diferentes para cada tipo de jogo que for necessário. Irá em busca de uma consistência defensiva, sem abrir mão de atacar com 5 ou 6 jogadores. Deverá buscar formar jogadores que saibam dosar-se entre o ataque e meio de campo. Que busque uma recomposição automática, quando alguém se deslocar de setor. Que faça da ultrapassagem pelos espaços vazios, uma obsessão dos jogadores. E as finalizações serão a tônica deste time.

Se querem insistir em chamar isso de “estilo Guardiola”, estejam à vontade. Mas pra mim é tão somente a aplicação prática de muitos estudos sobre uma evolução do futebol. É isso que esta geração de novos técnicos tem buscado, principalmente aqui no Brasil. E dizer, por exemplo, que o Tite é muito mais um Administrador de talentos ou de Egos, também não acho correto. Afinal, para todos os técnicos do mundo, o papel mais importante que eles fazem e exercem é o de administrador de talentos e de Egos. Sempre foi assim. É um trabalho de convencimento diário junto aos seus comandados, para que eles “comprem” suas ideias e tentem coloca-las em prática no campo. E em tempos de redes sociais, mais do que nunca saber administrar pessoas e talentos passou a ser fundamental para o êxito de qualquer clube ou mesmo Seleção.

Então meus amigos, o recado é o seguinte: “Em mentes quadradas, ideias novas não circulam!” Abram suas mentes ao novo. Não busquem rótulos ou explicações antigas para o que não se conhece ou não se compreende. Aprendam a não temer aquilo que não dominam. Não tenham receio do Novo.

#FalaGalo

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